Blanquiana
Luis Pimentel e Luiz Flavio Alcofra
Demo
Blanquiana

 (Luiz Flávio Alcofra e Luís Pimentel) 
Batidas na porta, era um cão, fui abrir 
Com o rabo no chão começou a latir
 E eu vi nos seus olhos o que nunca vi
 Colei no seu rastro, como quem segue um Deus.

 Refiz os meus passos nos caminhos seus
 De cão vagabundo, filósofo, ateu
 Com ele acordei o que dormia em mim:
 Comédias, tragédias, sertões, botequins.

 Com ele eu revi a minha cidadela:
 No Lamas, no Bip, no Momo, Capela
 Zé Zuzas, Genésios, Jandiras, Marias
 Eu estava em casa, na rua, e sabia.

 Sabia que a boa alegria entristece
 Que o dia renasce só quando alvorece 
E pro cão vagabundo escrevi uma prece:
 Quem bebe mormaço de amor não padece.